Rebeldes líbios impõem condições para cessar-fogo

01/04/2011 09:10

O líder opositor líbio Mustafa Abdul-Jalil disse nesta sexta-feira que a oposição do país aceitará um cessar-fogo pela ONU se o líder da Líbia, Muamar Kadafi, retirar todas as suas forças de todas as cidades e permitir protestos pacíficos.

A declaração foi feita por Abdul-Jalil ao lado enviado da ONU Abdelilah Al-Khatib, que visita o reduto rebelde de Benghazi (epicentro dos protestos iniciados em 15 de fevereiro) na esperança de alcançar um cessar-fogo e uma solução política para a crise do país norte-africano.

 

Foto: AFP

Após sair de Ajdabiya, rebeldes líbios preparam-se para ir à linha de frente dos confrontos em Brega

Abdul-Jalil disse a condição dos rebeldes para um cessar-fogo é que "as brigadas e as forças de Kadafi se retirem de dentro e fora das cidades líbias para dar liberdade à população de escolher, e o mundo verá que escolheram a liberdade".

Combates

Na madrugada desta sexta-feira, tiros de armas pesadas e automáticas foram ouvidos no centro de Trípoli, capital da Líbia, segundo testemunhas. Não ficou claro o que causou o tiroteio, que durou cerca de 20 minutos e parou antes de amanhecer. Carros aceleravam pelas ruas centrais de Trípoli. A capital é o principal reduto do líder líbio e seu complexo fortificado Bab al-Aziziyah fica no centro da cidade litorânea.

Também nesta sexta-feira, os combates entre as tropas de Kadafi e os milicianos continuaram nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, disse o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany. "Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Kadafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros", afirmou.

Nos últimos dois dias, os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar as forças leais ao dirigente líbio ao posicionar os membros do Exército na primeira linha de batalha e, na segunda, as milícias de voluntários.

Durante a quinta-feira, as tropas de Kadafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha. Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros a leste de Brega, fugiram da cidade por temer novos ataques das tropas de Kadafi.

Caso Lockerbie

Parentes das vítimas do atentado de Lockerbie contra um avião da companhia americana Pan Am exigiram que seja levado à Justiça o ex-ministro das Relações Exteriores líbio Moussa Koussa, que na quarta-feira anunciou em Londres seu abandono voluntário do regime líbio.

 

A imprensa britânica informou nesta sexta-feira que pouco após a divulgação do desligamento de Koussa a promotoria escocesa comunicou o governo central de sua intenção de interrogar o chanceler, que também foi durante muito tempo chefe da espionagem exterior líbia, por trás do atentado lançado em 1988 no espaço aéreo escocês, que deixou 270 mortos.

Jim Swire, que perdeu uma filha em Lockerbie, declarou que, se a Líbia esteve envolvida no atentado, Koussa poderá explicar como aconteceu a ação e por quê. Já Mahmoud Shamam, ministro da Informação do conselho rebelde, disse ao diário The Times que Kussa deve responder na Justiça por ter estado à frente dos serviços de inteligência entre 1994 e 2009.

Segundo o porta-voz dos rebeldes Mustafa Gheriani, Koussa está envolvido nos assassinatos de figuras da oposição a Kadafi que viviam fora do país e na brutal repressão interna. O ex-chanceler teve um papel muito importante na negociação do pagamento por parte da Líbia de uma compensação multimilionária aos familiares das vítimas de Lockerbie e do fim do programa de "armas de destruição em massa" do país africano.

Também foi peça-chave na libertação do líbio Abdelbaset al-Megrahi, condenado à prisão perpétua pelo atentado de Lockerbie e posto em liberdade pela Justiça escocesa por razões humanitárias depois de ter sido diagnosticado com um câncer de próstata em fase terminal.

A estada de Koussa em Londres causa desconforto ao governo do primeiro-ministro David Cameron, que afirmou na quinta-feira que não concedera imunidade diplomática a ele em troca de sua deserção.

O conservador diário "Daily Mail" questiona nesta sexta-feira em sua primeira página: "Por que oferecemos um santuário a esse assassino?". O tabloide o acusa de ser o cérebro por trás do atentado de Lockerbie e afirma que muitos deputados estão furiosos por seu apoio aos terroristas do IRA, aos quais os serviços líbios forneceram o explosivo Semtex nas décadas de 70 e 80.

O chanceler líbio, que chegou ao Reino Unido desde a Tunísia em um avião privado, encontra-se, segundo a imprensa, em um local seguro nos arredores de Londres, onde está sendo interrogado por funcionários do governo britânico.

*Com AP, Reuters, AFP e EFE

Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!