MUNDO: Presidente da Costa do Marfim tem bunker invadido

06/04/2011 09:52

Forças de Ouattara invadem bunker de Gbagbo na Costa do Marfim

Negociações para persuadir Gbagbo a deixar o poder atingiram impasse.
Presidente negou estar disposto a se render.

 

Forças leais a Alassane Ouattara, que reivindica a vitória nas eleições da Costa do Marfim, invadiram o bunker onde Laurent Gbagbo desafia nesta quarta-feira (6) os esforços para fazê-lo entregar o poder, disse uma porta-voz de Ouattara à agência de notícias Reuters.

'Eles estão em processo de entrar na residência para prender Gbagbo', disse Affousy Bamba à Reuters. 'Eles ainda não o pegaram, mas estão no processo. Eles estão no prédio.'

Apesar da invasão, as forças leais a Ouattara receberam ordens para não matá-lo, disse um porta-voz à Reuters. 'Nunca foi e não é a intenção de ninguém do lado de Ouattara assassinar o ex-presidente Gbagbo', afirmou Patrick Achi, outro porta-voz do governo de Ouattara. 'Alassane Ouattara deu instruções formais para que Gbagbo seja mantido vivo porque queremos levá-lo à Justiça', disse.

A ex-potência colonial França disse que os combates aconteciam em volta da residência de Gbagbo em Abidjan, mas as tropas francesas que estão na cidade não estavam envolvidas. Uma fonte do governo francês disse que os combates começaram após Gbagbo mostrar que não estava disposto a negociar com mediadores que tentavam convencê-lo a deixar o poder.

'Ele não é sincero em sua disposição de negociar sua saída', disse a fonte, acrescentando que as forças francesas não participavam dos combates em terra nos arredores da residência.

As negociações para persuadir Gbagbo a deixar o poder atingiram um impasse no início desta quarta-feira, após ele resistir às pressões da Organização das Nações Unidas e da França para assinar um documento em que renuncia às suas reivindicações de poder.

mapa da costa do marfim (Foto: Arte/G1)

Em tom desafiador, Gbagbo negou estar disposto a se render, apesar de um violento ataque de forças leais a Ouattara, cuja vitória na eleição presidencial de novembro foi reconhecida pela ONU e rejeitada por Gbagbo.

Nesta quarta, Gbagbo negou à rádio francesa RFI que estivesse negociando sua saída. 'Não estamos na fase de negociações. E minha saída de onde? Para onde?', afirmou.

Sanções
O Conselho da União Europeia (UE), disse nesta quarta que aprovou a nova legislação que impõe sanções adicionais sobre o governo da Costa do Marfim, dada a grave situação no país do oeste africano. "Segundo esta legislação, a UE proibiu a compra de títulos e de concessão de empréstimos para o governo ilegítimo de Laurent Gbagbo", informou um comunicado do Conselho da UE.

O Conselho, que reúne todos os 27 países da UE, disse que a decisão será publicada oficialmente na quinta-feira.

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