ELEIÇÕES - O Brasil e a política da revolução pobreza - Por Jaqueline Alencar

30/10/2014 13:58
Imagens da pobreza no Nordeste do Brasil. Fotos: Diário de Pernambuco, Diário do Nordeste e Diocese de Mossoró
 
 
*Jaqueline Alencar
 
Não adianta reclamar, espernear, chorar... Dilma Rousseff foi reeleita presidente do Brasil. Mesmo com um percentual que praticamente dividiu opiniões, democraticamente ela foi eleita e ponto.
A eleição mostra uma prática de política que tem dado certo há séculos de existência em vários países, e nos remete a uma das frases de Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica, que diz "O Terceiro Mundo não é uma realidade, mas uma ideologia".
E esta ideologia, que vem sendo utilizada pelo atual partido, que Governa o Brasil há quase 12 anos e agora por mais quatro, explica a mesmas palavras de ordem dos anos 60, do tipo "povos dos países subdesenvolvidos, uni-vos!". E assim, vimos a história se repetindo nas urnas neste domingo, 26 de outubro.
Seria um exagero estabelecer este paralelo entre a realidade do Terceiro Mundo na ideologia dos 60 com a pobreza de hoje no Brasil? Com uma miséria que serve para sustentar uma política que se utiliza desta situação para restabelecer-se, provavelmente não!
Mas as eleições deste ano apontam uma luz no fim do túnel. A disputa acirrada de voto a voto, com uma diferença pequena de percentual para o vencedor, mostra que boa parte dos eleitores está ficando cada vez mais crítica, avaliando melhor os candidatos, e enfim, amadurecendo ao ponto de perceber que essa forma de política baseada na "ética da pobreza", tem sido apenas uma ocasião perfeita de urna, que precisa ser transformada em algo autêntico, solidário de fato, e principalmente, consciente.
Ao praticamente dividirem o percentual de votos, os eleitores estão mostrando que entendem que, lutar pela desigualdade social, não é transformar os pobres como habitantes de uma sociedade negativa de um Terceiro Mundo, e sim, inseri-los de forma adequada, e de fato igualitária.
Por outro lado, o quadro nos mostra claramente que é preciso se esforçar mais, pois todas as manifestações mais ou menos organizadas, mas sempre dramáticas, não chegaram ao desejado.
Infelizmente, o que ficou provado mesmo até agora é que, os pobres não têm história, e se a têm, é a história da significação que os poderosos a emprestaram ao longo dos últimos anos através de programas sociais que apenas a torna reprodutiva.
 
 

*Jaqueline Alencar

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