CIDADES: Atingidos por cheia do Rio Juruá têm energia cortada em Cruzeiro do Sul

27/02/2015 09:16

Cheia deixou cerca de 600 consumidores sem luz em Cruzeiro do Sul. Para não estragar alimentos, moradores compram gelo e sal.

Com cheia do Rio Juruá, água vai até a cintura de homem em Cruzeiro do Sul (Foto: Tácita Muniz/G1)
Com cheia do Rio Juruá, água vai até a cintura de homem em Cruzeiro do Sul (Foto: Tácita Muniz/G1)

O nível do Rio Juruá chegou, às 15h desta quinta-feira (26), ao nível de 13,41 metros, 41 cm acima da cota de transbordo em Cruzeiro do Sul. Com isso, a Eletrobras Acre suspendeu o fornecimento de energia para cerca de 600 consumidores, número que pode aumentar ainda mais, segundo a distribuidora. O corte no fornecimento de energia pegou os consumidores de surpresa que agora pensam em maneiras de conservar os alimentos que possuíam na geladeira.

Dona de um pequeno comércio na varanda de casa, a comerciante Francisca Gracilene diz que prefere recorrer aos sacos de gelo. De acordo com ela, apesar do gelo não preservar os alimentos tanto quanto a geladeira, essa é uma forma de não ter prejuízo com a suspensão do serviço.

Energia é cortada por medida de segurança (Foto: Vanísia Nery/G1)
Energia é cortada por medida de segurança (Foto: Vanísia Nery/G1)

“Cada saco de gelo custa R$ 10, compro um de dois em dois dias. Se não for assim, o prejuízo fica bem pesado”, conta. Na casa da pequena comerciante, a luz foi cortada ainda nesta quinta-feira (26). Ela diz que ainda está tentando manter os alimentos no gelo do freezer.

Comerciante Francisca recorre a saco de gelo para não perder alimentos (Foto: Vanísia Nery/G1)Comerciante Francisca recorre a saco de gelo
para não perder alimentos (Foto: Tácita Muniz/G1)

O gelo e o sal são as alternativas encontradas pela aposentada de 60 anos, Maria das Graças. Há 20 anos morando no bairro Miritizal, um dos bairros atingidos pela cheia do Rio Juruá, ela conta que recorre ao gelo, mas confessa que por vezes salgar a carne é a melhor saída.

Também há um dia sem energia, ela pensa em como contornar a situação. “No meu caso, eu compro gelo todos os dias, ou seja, R$ 10 diariamente. O negócio é dormir e jantar cedo. Às vezes preciso salgar a carne, além de fazer compras todos os dias porque não dá para fazer feira se não tudo se estraga”, lamenta. 

José Coelho de Souza, de 52 anos, há 23 é catraieiro e conta que está acostumado com o nível das águas e com rio que é seu meio de trabalho. Mas, confessa que o corte de energia acaba sendo uma dos principais problemas. “Cortam a energia sem avisar nada para a gente. Se avisassem antes, pegávamos os produtos e dávamos um jeito de guardar em outro local. Lá em casa tinha uns 60 iogurtes na geladeira, quando vimos tava sem luz e tivemos que levar para a casa de um parente meu”.

Moradores usam embarcações para chegar em casa (Foto: Tácita Muniz/G1)
Moradores usam embarcações para chegar em casa (Foto: Tácita Muniz/G1)

O gerente da Eletrobras em Cruzeiro do Sul, José Melo explica que esse aviso prévio não pode ser feito devido à inconstância do rio. Ele diz ainda que a empresa está fazendo vistorias e novas casas, aquelas cuja fiação possa oferecer risco à população, devem ter a energia cortada nos próximos dias.

“Nós ainda estamos desligando em algumas casas. Com certeza, onde nossa equipe avaliar que tem perigo vai ser desligado para preservar a vida de nossos consumidores. O perigo é passar um barco, derrubar um poste e esse fio em contato com a água ocasionar um acidente”, explica.

O rio deve estabilizar nas próximas horas, segundo o Corpo de Bombeiros da cidade. As águas atingem cinco bairros: Boca do Môa, Várzea, Miritizal e Olivença. De acordo com os bombeiros, sete famílias foram retiradas, o que equivale a 28 pessoas que estão sendo amparadas pelo aluguel social.

“A princípio, o rio vai estabilizar, já que choveu muito pouco nestes dois dias, ele não vai baixar nem subir. Será mantida essa cota de 13,40 metros”, conta o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Marcelo Araújo.

Autor: G1
Fonte: G1

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