ARTIGO: CONFLITOS DO CIDADÃO - Por Uemerson Florêncio

21/03/2015 18:39

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Muitas pessoas têm alegado que morar nos grandes centros urbanos é a melhor opção das suas vidas. Claro, cada um tem respeitavelmente as suas motivações. Entretanto, há quem seja morador da zona rural, viva na sua rocinha e desfrute do mesmo pensamento, até aí, tudo bem. Para tanto, cada espaço tem as suas peculiaridades: conforto, comodidade, acessibilidade, serviço público e privado ofertado em larga escala, entre outros.


Um aspecto pode se tornar grande zona de fronteira ou abismo na vida de algumas pessoas, o poder de compras. Uma cena cotidiana: Na zona rural ou na roça, a dificuldade para acessar os serviços públicos pode ser de ordem geográfica, portanto, você consegue plantar e cultivar alguns alimentos. Em alguns casos ainda há quem faça troca de uma cesta de aipim por uma galinha com o vizinho. É um conflito difícil de lidar. São relação que você mal dá para aceitar nos dias atuais, mas há quem resida na cidade grande em frente a um supermercado e todos os dias ao meio dia, pela falta renda (emprego), não pode comprar a sua cesta básica.


É nesta sólida relação de desigualdade derivada de um sistema capitalista selvagem e excludente que a música “a novidade” da banda Paralamas do Sucesso entra em cena: “A novidade era o máximo / Um paradoxo estendido na areia / Alguns a desejar seus beijos de deusa / Outros a desejar seu rabo pra ceia / O mundo tão desigual / Tudo é tão desigual”. O cidadão desespera-se!


Há moradores que apesar de ocupar um espaço na cidade tornou-se mais um decadente decente, requintado, residente em casa de alvenaria, dispõe dos serviços públicos e saneamento básico: Alguns deles podem ser assim traduzidos parcialmente: Alguns são chefes de famílias que tem ensino superior completo, ex-funcionários que recebiam grandes salários, mas que hoje estão desempregados e desocupados.


Diante desses dias tão difíceis, só resta uma pergunta: Onde estão escondidos os grandes parques industriais com potencial para a gerar elevado número de empregos a ponto de absorver parte desta mão-de-obra ociosa? O cidadão entra em conflito.


O grande zé Ramalho responde de forma muito amigável em sua canção “Admirável Gado Novo” que diz: “Vocês que fazem parte dessa massa, que passam nos projetos do futuro, é dura tanto ter caminhar e dar muito mais que receber”. Você entrega a sua força de trabalho ao longo de uma vida e logo ali na primeira esquina é surpreendido com o desemprego e todos os aspectos astrais que vos marginalizam. É neste momento que Zé Geraldo reforça com a música “cidadão” - “Tá vendo aquele edifício moço, eu ajudei a levantar”.


É o caso dos operários da construção civil que trabalham pesadamente na construção dos incontáveis condomínios residenciais. A maioria deles levam uma vida inteira para ter, quando conseguem ter, a sua moradia digna.


Outros conflitos do cidadão: Você constrói uma carreira acadêmica, ao terminar o curso, o mercado lhe dá um grande título, DDC – Desempregado-Desocupado-Capacitado. Para completar você assiste uma vasta campanha para a aquisição da casa própria, quanto na verdade ainda reside na casa dos seus pais e familiares mesmo depois dos seus largos 40 anos de idade. Resumindo, você contribui para que o país cresça, mas o que você tem de volta é tão pouco que envergonha-se. Eis que retorna ao conflito do cidadão.


 

*Autor: Uemerson Florêncio – Empreendedor. Brasileiro, nascido em Salvador-Bahia. Atua com reposicionamento de pessoas, negócios e Desenvolvimento de Cidades. Diretor do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Khalifa Business, agência de negócios. Área de concentração acadêmica: Comunicação e marketing pela Universidade Salvador – UNIFACS. Faz estudos de Cultura Árabe com foco para Abu Dhabi e Dubai nos Emirados Árabes Unidos, pesquisa relações internacionais entre países desenvolvidos e faz intercâmbios com países de língua portuguesa na África. florencio@khalifabusiness.com.br / www.facebook.com/uemerson.florencio

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